Existem no mundo, provavelmente, poucas forças tão fortes e persistentes quanto aquela gerada pelo sentimento unilateral. A conjuntura dos fatos que leva ao sentimento unilateral irá cegar uma pessoa de tal maneira que não existirá vontade alheia, mas apenas a sua vontade - aquele sentimento que não pára de crescer e, ao mesmo tempo, nutre-se de ilusões para fazê-lo.Talvez seja o próprio egoísmo inerente a cada um de nós que nos leva a crer que, se existem sentimentos por alguém, isso deve ser correspondido! Afinal, como não corresponder a uma oferta genuína e generosa de absolutamente tudo?! Sim, porque a partir do momento que fica decidido entregar-se a alguém, tudo - absolutamente tudo nesta vida - é passível de doação. A vontade de unir-se e mesclar-se é tamanha, que os limites que impedem esta fusão são facilmente superados.
Pelo menos, no início.
Tem-se então uma quantidade imensa de impulso, que contrasta bruscamente com o alcance da visão. Ou seja, é lançar-se às cegas com toda vontade e ardor - um mergulho de cabeça em uma caverna profunda, uma corrida na névoa. O protagonista dessa aventura (muitas vezes frustrante) peca apenas em não perceber que, enquanto ele corre, perdido no nevoeiro, movido por um sentimento desenfreado, todo o resto do nevoeiro se mexe também, evolui. Correndo às cegas, é pouco provável que alcance qualquer coisa, menos ainda sua meta inicial.
1 comment:
Quem dera pensarmos com essa clareza sempre... Vou cantar o mantra da clareza em todas as próximas vezes:
"Correndo às cegas, é pouco provável que alcance qualquer coisa, menos ainda sua meta inicial."
(Repetir 10x para mais eficácia)
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