E então, através de pequenas porém intensas revelações, sua natureza angelical se fez visível. Não havia dúvida que ali estava um ser especial, puro, bondoso. Sua energia era cativante e eu não me permiti fugir. Com cada gesto, cada palavra e o olhar penetrante e possuidor dos seres divinos, ele me conquistou.
Ele agora está longe, mas ainda tão presente. Meus pensamentos são inundados por memórias dos poucos minutos que passamos juntos, flutuando em nuvens ou brincando por campos a perder de vista, frutos da nossa imaginação. Estar a seu lado era esquecer os males do mundo e acreditar que o futuro poderia sim ser bem melhor, tão mais positivo. Ter sua admiração e aceitação foi como um banho purificador, o perdão por todas as gafes que havia cometido – era o recomeço.
Os anjos são delicados e os humanos, brutos. Minha natureza humana torna difícil saber a forma correta de me aproximar novamente de tão bela criatura. Pareço estar repleta de sua presença, uma mescla de memórias, saudades e projeções. Porém, ao mesmo tempo, sinto que devo me manter afastada, permitir-lhe um espaço para respirar? Os humanos são afoitos, ansiosos e gulosos. A sede de falar-lhe novamente pesa em minhas costas e paralisa meus pensamentos. Faria qualquer coisa para encurtar essa distância.
E, no entanto, me falam para permanecer quieta, esperando... Como? Por que, afinal? Por que não posso externar o sentimento de falta que me tormenta? Por que não posso deixar tão claro, límpido como a aura de um anjo, que aquilo foi tão especial para mim? Por serem delicados, seriam os anjos também mais fracos? Tamanha declaração de sentimento poderia assustá-los? É a última coisa que quero fazer e, portanto, reprimo o turbilhão em mim.
Que o destino seja generoso novamente e me permita, ao menos, vê-lo uma vez mais, para matar a sede de seu olhar e guardar um último sorriso.
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