18.7.09

Naufrágio - A Série (2)

Grito de Socorro

Sexta-feira – Exausta da semana, mas com vontade de quem quer celebrar a vida, dividir isso com amigos e apenas parar de pensar em tudo que vale algum tipo de conceito numérico ou acadêmico.

FESTA! Perfeito.

A produção foi caprichada, talvez até um pouco over, mas antes over do que under. Qualquer coisa, tinha outra festa depois dali. Mas a verdade é que ela não consegue parar de dançar, mesmo com seu modelito over, já todo suado. As sandálias foram deixadas debaixo da mesa e a sujeira nos pés não combina nem um pouco com o modelito. Paciência.

Ela, detalhista como sempre, repara na presença relativamente constante nas rodinhas de dança. Tenta entender os movimentos, as preferências posicionais na pista, como se a vida fosse uma estratégia matematicamente descritível. Não chegando a conclusão alguma, ela desiste ou, aliás, contenta-se com a conclusão que ele está buscando posicionar-se perto de uma outra ela. Tudo bem.

Já fora da pista, exausta, porém com sandálias novamente (pés lavados na pia, como de costume), ela percebe a mesma presença, desacompanhada. Em um movimento mais do que ousado, ela inicia uma conversa! “Você conhece a turma?” Simples assim. Ah, se a vida fosse assim simples.

Inacreditável – conversam por cerca de meia hora (ou mais, não há mesmo como saber...) sobre assuntos diversos, mas sempre algo positivo, compartilhado. Ela acha bom demais pra ser verdade. Ela sempre acha isso. Mas tenta se controlar e aproveitar a essência do momento – um bom papo, alguém que a compreende.

Sinalizações de que ela precisa ir embora começam a surgir e, pra falar a verdade, ela está mesmo cansada. Tudo bem, ela não hesita em mostrar como foi realmente agradável aquele tempo de conversa. Ele, respondendo positivamente, sugere que continuem algum outro dia. Claro, pode ser, por que não? E então... Seria uma tábua ao longe? Por favor, por favor, não me traga tábuas! Prefiro me debater em águas turbulentas que apoiar-me em tábuas passageiras. Ela parece ter aprendido o ritmo desse jogo... Dessa dança – sua paixão afinal. Mas, por favor, por favor, não me deixe morrer na praia! Fiz tanto esforço para agir naturalmente até agora! Ela conversava com aquele que justamente ela considerava perdido. Apenas um papo... Apenas uma conversa... Ela não quer tábuas, mas apenas uma onda mais amena, para poder respirar.

Trocam telefones.

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