26.1.10

Momento carteiro

Resolvi separar as cartinhas de gestões distintas em caixas diferentes, apenas pra organizar um mar de correspondência que acumulo desde que me entendo por gente. Nesse esforço, encontro cartas que vão fazer 15 anos de existência, o email da época para menores de idade (e, provavelmente, muitos maiores também).

Balanço até agora: trocentos cartões de aniversário, alguns de Natal, uns santinhos e um cartãozinho pela morte do meu avô. Esse quase fez chorar, mas guardei antes.

Resolvi retirar os envelopes e reciclá-los e a correspondência das gestões está sendo devidamente arquivada. Boas lembranças, outras nem tanto, estórias que chegaram ao fim.

Ainda penso se devo jogar fora tanto papel... Todos com meu nome, dedicações, desejos de felicidade, mas todos passados. Momentos que se foram. Aliás, muitas cartinhas de uma contemporânea de colégio que, alguns anos depois, viria a ignorar "scraps" deixados por mim. Afff....

Dissertação, a saga

Este é o primeiro post do que, acredito, virará uma saga - o processo de escrever uma dissertação. Como este já devem existir trocentos outros blogs, diários e relatos, mas, pra variar, isso não fará diferença. Talvez a maior discrepância entre este e os que já existem é que este não se leva a sério, portanto, não vou me cobrar escrever todo dia, meticulosamente, cada passo do processo. Vou postando à medida que forem surgindo coisas interessantes ou pertinentes.

Começamos então com algo super pertinente: não sei sobre o que diabos escrever! Tenho ideias e vontades, mas nada certo ainda. Reuniões com o orientador terminam com a mesma tarefa de casa - olhar a literatura e dar um retorno para marcar outra reunião. Estou perdida nessa literatura e não sei sobre o que ler. Tudo que possa ter a ver com meu tópico?? Acho meio louco esse objetivo.

Outra coisa bem interessante é que, em duas ou três vezes que me propus a ler algo seriamente, com atenção, fui facilmente distraída por diversas outras coisas. Agora, por exemplo, a técnica medieval de arrancar pêlos com pinças me parece incrivelmente mais emocionante do que a dissertação mal escrita que estou tentando ler (abordando quase o mesmo assunto que eu devo abordar). Até edital de concurso eu já li. E a dissertação não desce...

Devo ficar imune ao sentimento de culpa no final disso tudo, hein?

Ok, vou tentar ler um artigo sobre como escrever dissertações. Quem sabe tem uma dica lá, tipo "vencendo a inércia inicial".

Náufrago - A Série - Parte 3

Surreal. Quem diria que eu haveria de encontrar um post justamente marcando um dia tão... especial. E quem mais diria que este mesmo post seria no tom que foi. Gostei de ter encontrado isso e ter lembrado como me senti naquele dia. E depois lembro de novo de tudo que aconteceu depois e... sorrio. Foi muito bom. Alcancei a praia. (Risos... que metafórico.)

Não, dessa vez não me atiraram tábuas, nem pneus, muito menos ilusões. A praia chegou, a areia é macia e aconchegante e a água está perfeita para um novo mergulho. O sol é revigorante e, ah, como eu precisava desse sol. Ele é, na verdade, m
uito mais que um sol. ("É raio, estrela e luar"? Nah, muito cafona até pra mim.)

Continuar nadando, sempre.


Elevador

No prédio tem um apartamento onde não mora ninguém. A dona não precisa morar aqui, já que tem outro lugar, bem mais bacana e confortável, suponho, para passar a semana, fim de semana, feriados... Enfim, o apartamento é cuidadora por uma governanta, digamos assim.

Essa pessoa tem uma filha, que morou com ela até o dia em que se casou e saiu de casa. Mora também uma empregada doméstica, que tem um filho. Esse filho era beeeeem menor quando esse pessoal todo entrou na minha história - ou seja, quando os conheci - e hoje já faz mais de 10 anos que isso tudo aconteceu. Com exceção do casamento.

Hoje é assim: a governanta, a empregada e o filho, que dobrou de tamanho em todas as direções e já sabe falar bom dia e segurar a porta do elevador (amém pelo progresso humano).

Porém, hoje no elevador éramos a governanta, o menino e outro menino, que suponho ser um amigo de colégio (ambos praticamente do meu tamanho e, provavelmente, com metade da minha idade). Isso me fez pensar nas pessoas, especialmente mulheres, que acabam por viver para criar outras pessoas. Não acho que a vida dela seja ruim, pois o apartamento é confortável e não me parece faltar recursos para uma vida agradável. Porém, fiquei pensando quem são as companhias dessa mulher. Quando a filha morava com ela, já não existia marido/pai, então acho que morreu. A filha foi embora e nem do neto ela cuida, pois moram em outra cidade. No elevador, tive a impressão que ela cuida do menino, filho da outra, e por vezes acaba cuidando também dos amigos do menino. Se isso tudo parece natural por um lado, já que não há marido para ela cuidar, por outro me soa desconfortante. E se ela quiser um tempo pra ela? E se ela nem cogitar em ter um tempo pra ela? E se ela precisa de alguém precisando dela para ter o que fazer?

De qualquer maneira, pode ser interessante olhar pra trás, no final da vida, e ver que você foi responsável pela orientação de mais de uma pessoa; que você representou o pilar principal no desenvolvimento de alguém(s). Melhor ou pior do que outra vida? Não vem ao caso nesse momento. Apesar de tudo, não é o que eu desejo para o futuro.

Retomando

Estava no elevador hoje quando me toquei que abandonei o blog. Bom, em plena honestidade, já tinha me tocado disso antes, mas não tinha subido para a lista de prioridades de novo. Então, hoje tive uma outra ideia. Em vez de postar apenas coisas ultra-interessantes que possam ser a semente da cura do câncer, vou voltar a colocar apenas pensamentos, devaneios e pequenas reflexões. Esse post, inclusive, será muita mais pra mim do que qualquer leitor, visto que não há muitos! :D

Sendo assim, fica aqui marcada a ressurreição do blog para:
- Ter um espaço para ideias.
- Voltar a praticar algo que gosto, escrever.
- Não deixar pensamentos e reflexões irem embora com o tempo, afinal, se um dia eu guardei caixinhas e potinhos por achar que seriam úteis um dia, devo guardar os produtos da minha mente (enquanto a tenho).

Veremos no que dá.