14.9.08

Sem pé nem cabeça


Alguém um dia ainda vai me explicar a lógica e a relevância de testes psicotécnicos e dinâmicas de grupo. Os primeiros, por mais que pareçam úteis ou inofensivos, podem acabar frustrando e enfurecendo o pobre participante. As últimas, se não humilham, pelo menos fazem o coitado se sentir quase obrigado (caso já não goste disso) a querer bancar o esperto, o preparado, o loquaz, o bem-relacionado, o perfeito, e proferir pelo menos três dos seguintes termos: flexível, perfeccionista, líder, proativo.
Quando ouvi as instruções de fazer tracinhos verticais de cima para baixo com o mesmo tamanho e espaçamento, ainda relevei. Já tinha ouvido isso antes. "Ok, fazer tracinhos indefinidamente, até que um dia vão me mandar parar." Começou terapêutico, exercitei tracinhos de tamanhos irregulares e espaçamentos irregulares, com irregularidades para todos os lados possíveis. Ia vendo as tendências de irregularidade, e se com o tempo eu aumentava a quantidade de tracinhos ou diminuía. Apesar do cansaço, aumentava. Quando a brincadeira já se tornara enfadonha, veio o inacreditável: "Pessoal, agora vocês vão con-tar os tracinhos que fizeram." O contar, pra mim, veio assim, em duas sílabas e slow motion. Foi como levar aquele tombo na escola, no recreio, quem sabe bem na frente da garota mais bonita da turma, e ficar no chão, por segundos que parecem horas, em que em vez de nos levantar ficamos pensando "não, imagina, isso não aconteceu". Nunca pensei que depois de anos de engenharia alguém me diria "agora conte os tracinhos". Isso porque até gosto de coisas que não fazem necessariamente sentido. Pensando bem, nem no primário esperaria tal acinte. Às vezes a gente até realiza contagens de tracinhos na vida, mas ninguém precisa ficar sabendo, nem muito menos avaliar isso. E ainda fica a curiosidade: avaliar como?
Também não me perguntem como vão avaliar quando eu desenho uma casa, uma árvore ou uma pessoa. Meus desenhos continuam ridículos, assim como o eram quando tinha seis anos. Apenas mais ridículos, por eu ter hoje 20 anos a mais... Eles devem seguir a lógica do "entendeu, ou quer que desenhe?" Queridos, se eu fosse arquiteto, designer ou artista plástico, podiam me pedir pra desenhar. Não sendo o caso, posso ficar com as palavras mesmo?
Segundo uma amiga, esse tipo de teste é "tão anos 60!" Preciso dizer mais alguma coisa?
Ah, e as dinâmicas de grupo. Bem, as dinâmicas dão um post à parte. Um blog à parte. Uma vida à parte. Um universo à parte. Nem vou comentar as dinâmicas, então... Vai dar muito trabalho!

2 comments:

Squared said...

Quantos tracinhos haviam afinal?? E o que eles fizeram com essa info??

Cwolff said...

bom...
tinha que contar os tracinhos por intervalos, não somei o total. o primeiro intervalo deve ter tido uns 70 e poucos. o último teve mais de 200.
o que eles fizeram com essa info? se eles um dia me disserem, eu te conto! faço um update no post.