19.10.08

Devaneios 2

Em uma noite não menos nem mais desinteressante que a maioria das noites, elas se planejam a programação para mais tarde. Feita a proposta de conhecer um barzinho novo, a conversa flui para outros cantos e logo a programação é deixada para segundo plano. Difícil é ignorar o horóscopo do dia:
Sol e Lua transitam por casas naturalmente harmônicas
entre si entre os dias 18/10 e 20/10: o Sol na Casa 5, setor do prazer, e
a Lua na Casa 1, o setor da identidade, sendo este um momento especial para tudo
o que diz respeito ao lazer, às diversões, à satisfação da sua "criança
interior". Nesta fase, seu magnetismo sexual fica mais forte, você terá mais
presença, mais luz!
Que tal aproveitar pra dar aquele trato no visual, dar um
tempo pros pudores e se exibir um pouquinho? Todo mundo tem seu momento de
estrela! Esta é uma ótima fase para você se colocar, se expor. Você
provavelmente estará se apresentando de uma maneira agradável e envolvente, os
outros estarão sentindo empatia em relação a você
. Reflexão para o período: o
prazer faz parte da existência e eu mereço vivê-lo
!

Com uma previsão dessas, ainda que dúbia, como ficar parada em casa? Resgatam-se então os planos iniciais e começam os preparativos para o evento.

Chegando lá, oba, ainda dá pra pegar o desconto pela hora de entrada. Mas, uma vez dentro do estabelecimento, cadê todo mundo?? Alguns poucos gatos pingados se dividem entre os vários ambientes com mesas, sofás e cadeiras, tudo mal iluminado e decorado à la pub-brasileiro da nova geração. Breve momento filosófico acerca do porquê de estar tão vazio - seria a chuva?, seria uma moda que passou?, seria a baixa estação?, seria azar? Conclusão: não vale a pena filosofar; melhor é aproveitar o que há para ser aproveitado e estabelecer um prazo para ir embora, caso não "melhore".

Em uma jogada estratégica, mudam de lugar no bar, aproximando-se da pista de dança, afim de conferir a movimentação (e quem sabe até dançar). Por ali ficam por mais uns minutos até que algo chama a atenção. Um olhar direto e sem vergonha alguma é lançado para ele, que passa por elas. Conta-se 3, 2, 1... "Oi..." Ou talvez nem seja um oi, mas sim alguma frase desconexa, em três línguas diferentes (uma delas haveria de ser a certa).

Contato estabelecido! A sequência dos fatos não é muito diferente da grande maioria das histórias que começam (e, geralmente, terminam) em uma boite.

Pulando para o fim da noite (já ouviam-se alguns passarinhos...), fica a sugestão de se encontrarem novamente no dia seguinte, talvez para um passeio cultural. A previsão de chuva o dia inteiro não é animadora, mas onde há esperança... E não parece um planejamento tão impossível ou pouco razoável de ser executado - entre 13h e 14h, ela passaria onde ele se hospedava, o chamaria e sairiam para passear. Simples assim.

Alguma... Aliás, bastante insegurança no dia seguinte. Estaria ele lá? Lembraria do combinado? Seria tudo uma furada? A fim de eliminar a maior parte possível de riscos, ela tenta entrar em contato por telefone. Sem sucesso, deixa um recado.

Outra chamada, sem sucesso novamente.

Dane-se tudo! Que seja efetuado o combinado, nem que seja para saber o que acontecerá. E com o foco determinado, ela sai de casa, na chuva que agora engrossou, em busca o local visitado na noite anterior. Adentra a recepção, chama-o pelo nome e... Nenhum sucesso. Ninguém o viu, ninguém conseguiu entregar o recado deixado meia hora antes.

Ela agradece e vai embora.

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