4.10.08

Passado que se fez presente

Duas coisas que, se perdidas, não podem ser recuperadas:
o tempo e a inocência.

Foi vasculhando por fotos antigas que me dei conta de quanto já aconteceu. Na verdade, a tarefa parecia simples: separar 25 fotos. Me vieram alguns momentos à cabeça, dos quais eu lembrava ter fotos e que me pareciam importantes para contar uma história. Porém, na imensa pilha de memórias, fatos, eventos, acasos e pessoas, encontrei muito mais que momentos importantes.

Encontrei pessoas que desapareceram. Se um dia elas fizeram laços de amizade, companheirismo ou qualquer tipo de afinidade comigo, este mesmo laço se desfez facilmente com os anos (ou quem sabe com poucos meses). Porém, naquele instante, o laço foi forte o suficiente para querer registrá-lo.

Encontrei também sentimentos que murcharam. Recordações de conquistas, novos conhecimentos, experiências, e - claro - mais pessoas, que despertaram emoções agora esquecidas, reprimidas ou superadas.

Encontrei lugares. Esses não requerem muita explicação, pois locais são sempre "cenas do crime". Para quem vivenciou o momento, a mera imagem de onde tudo aconteceu pode libertar lembranças que vinham sendo escondidas naquele cantinho obscuro da mente. E o melhor de tudo, um local faz isso tudo em silêncio, guardando para si as cenas ali protagonizadas.

Encontrei insegurança, muita insegurança. As fotos, sempre repletas de movimento, pessoas, cores, cheiros e sons, lembraram uma época em que não importava muito o que havia dentro, desde que fosse aprovado pelo que estava fora. Os outros, aqueles de quem sempre buscamos aprovação, estarão guardados para sempre, talvez para não esquecermos de que um dia fomos aquilo que eles quisessem que fôssemos.

Encontrei dúvidas, daquelas que se tem quando não se conhece bem o mundo, não se tem certeza do que está acontecendo nem de quem são as pessoas exatamente. Algumas foram respondidas com o tempo, outras se revelaram insignificantes e ainda outras permanecem vivas.

Talvez seja das dúvidas que se alimentava a inocência.

Talvez tenha sido a insegurança que me roubou algum tempo.

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